Não é aceitável que a resposta aos problemas das apostas seja simplesmente acabar com as empresas que decidiram operar dentro da lei. Essa solução pode parecer fácil no discurso, mas é frágil na prática — e profundamente injusta com quem fez a escolha de cumprir as regras.
Acabar com as empresas autorizadas não acaba com as apostas. A demanda não desaparece por decreto. Ela migra para plataformas ilegais, que não têm compromisso com o consumidor, não identificam adequadamente seus usuários, não oferecem mecanismos de autoexclusão, não respeitam limites, não prestam contas e não podem ser efetivamente fiscalizadas pelo Estado.
A experiência brasileira já mostra qual deve ser o caminho: fortalecer o mercado regulado e eliminar o mercado clandestino.
As empresas autorizadas operam dentro de regras claras e cada vez mais rigorosas. Há identificação dos apostadores, reconhecimento facial, mecanismos de prevenção a fraudes, controles de pagamentos, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, estruturas de integridade e compliance, atendimento ao consumidor, monitoramento de comportamentos de risco, limites, alertas, autoexclusão e regras específicas para proteger crianças e adolescentes.
E há um ponto que não pode ser tratado como nota de rodapé: por trás de cada empresa regulada, existem colaboradores, profissionais e famílias.
São pessoas que trabalham em tecnologia, atendimento, segurança da informação, marketing, jurídico, finanças, análise de dados, integridade e compliance. Pessoas que escolheram o mercado formal, que construíram suas carreiras nesse ambiente e que todos os dias trabalham para que as empresas cumpram as regras e o setor se desenvolva com responsabilidade.
Quando se fala em simplesmente acabar com as “bets”, fala-se de acabar com empregos, carreiras, renda e projetos de vida. Fala-se de gente que fez uma escolha: trabalhar dentro da legalidade, em um setor novo, tecnológico e inovador, acreditando que o marco regulatório criado pelo Estado seria respeitado.
Essas pessoas não podem ser tratadas como um efeito colateral irrelevante. O mercado regulado gera empregos e movimenta uma cadeia imensa de serviços especializados. Também contribui para a arrecadação, para o esporte e para o desenvolvimento de novas competências profissionais no país.
O SINDIBETS-SP defende o aperfeiçoamento permanente das regras, a fiscalização rigorosa das empresas autorizadas e uma ação muito mais efetiva contra os operadores ilegais, seus divulgadores e os meios de pagamento que viabilizam suas atividades.
Defendemos também mais educação financeira, políticas públicas de prevenção e tratamento do jogo problemático, publicidade responsável e diálogo permanente com o poder público, especialistas, entidades esportivas, consumidores e trabalhadores.
É possível reconhecer os danos, proteger os mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, preservar um mercado formal, fiscalizado e responsável. Uma coisa não exclui a outra.
A proibição pode produzir um efeito contrário ao desejado: enfraquecer quem está submetido às regras e abrir espaço para quem nunca pretendeu cumpri-las.
O caminho é fazer funcionar melhor a regulação que acabou de ser construída. É cobrar mais de quem opera legalmente e agir com rigor contra quem opera ilegalmente. É garantir segurança para os consumidores, para as empresas e para os milhares de colaboradores que fazem parte desse ecossistema.
SINDIBETS-SP
Sindicato das Empresas Operadoras de Apostas Esportivas e Jogos Online do Estado de São Paulo
setembro de 2026



